Em resumo
Atendo adolescentes em psicoterapia individual de orientação psicanalítica, presencialmente em Ribeirão Preto e online. As sessões são semanais, com horário fixo, e duram cerca de 50 minutos.
O ponto mais importante do enquadre com essa faixa etária é o sigilo: o que o adolescente fala em sessão não é relatado aos pais. Isso é explicado a todos os envolvidos na primeira conversa, com as exceções previstas em lei ditas com clareza.
O sigilo — a parte que decide se vai funcionar
Nenhum adolescente fala de verdade num espaço que ele suspeita ser uma extensão da fiscalização dos pais. Por isso essa combinação é feita explicitamente, na frente de todos, antes de começar:
- O conteúdo das sessões não é relatado. Os pais não recebem resumo do que foi dito.
- Os pais recebem o que precisam receber — orientações gerais, indicações de encaminhamento, e a informação de que o processo está em curso.
- As exceções são ditas na frente do adolescente, e são estritas: situações de risco de vida, para ele ou para terceiros. Nesses casos, sempre que possível, converso primeiro com ele sobre o que precisa ser comunicado.
- Nada disso é surpresa. Um adolescente que descobre depois que estava sendo relatado não volta — e faz bem em não voltar.
Para os pais, esse arranjo às vezes gera desconforto no começo. Mas é ele que torna o trabalho possível — e é ele que costuma produzir, mais adiante, as mudanças que a família estava esperando.
O que costuma aparecer nessa idade
- Identidade — quem eu sou, o que eu quero, a distância entre isso e o que esperam de mim.
- Corpo — as mudanças, a comparação, a relação com a imagem e com a alimentação.
- Escola e futuro — pressão por desempenho, escolha de carreira, vestibular, o peso de decidir cedo demais.
- Relações — amizades, primeiros amores, rejeição, exclusão, violências entre pares.
- Família — separação dos pais, conflitos, silêncios de casa, expectativas herdadas.
- Luto — perdas que adolescentes frequentemente vivem sem que ninguém pergunte como estão, porque a atenção está nos adultos da casa.
- Ansiedade e angústia sem nome. Veja ansiedade.
Quando o adolescente não quer ir
Acontece bastante, e não inviabiliza nada. Algumas coisas ajudam:
- Não apresentar como punição"Você vai ao psicólogo porque está insuportável" praticamente garante o fracasso da primeira sessão.
- Não prometer o que não se cumpreSe você disser que é "só uma conversa" e depois cobrar resultado, a confiança se perde.
- Dar a ele alguma escolhaHorário, modalidade, se quer entrar sozinho ou acompanhado na primeira vez. Sensação de controle muda muito a adesão.
- Aceitar a primeira sessão como testeSem compromisso de continuidade. É assim que trabalho, inclusive com adultos.
Presencial ou online?
As duas funcionam. O online resolve deslocamento e rotina escolar apertada, mas exige um cuidado que com adolescente é decisivo: um lugar em casa onde ele possa falar sem ser ouvido. Se isso não existir, o presencial é bem mais indicado — porque uma sessão em que o adolescente mede cada palavra por medo de ser escutado do outro lado da porta não é sessão.
Se houver risco
Se você percebeu sinais de autolesão ou falas sobre morte, não espere pela vaga de terapia: procure hoje o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou ligue para o CVV (188, gratuito, 24 horas).
Dúvidas frequentes
A partir de que idade você atende?
Meu trabalho clínico é com adolescentes, adultos e idosos. Para atendimento infantil, o indicado é procurar um profissional com formação específica em clínica com crianças — se for o seu caso, me escreva mesmo assim que eu oriento sobre o encaminhamento.
Os pais participam do processo?
Participam do enquadre, não do conteúdo. Isso significa: estão presentes na conversa inicial, recebem orientações quando necessário, são informados sobre encaminhamentos e sobre a continuidade do processo — mas não recebem relato do que foi dito em sessão. Essa distinção é explicada a todos logo no começo.
E se meu filho não quiser falar nada na sessão?
É comum nas primeiras vezes, e faz parte. O silêncio de um adolescente também comunica, e a construção de confiança leva o tempo que leva. O que não ajuda é interrogar em casa sobre o que foi dito — isso costuma travar o processo mais do que qualquer outra coisa.
O adolescente precisa concordar em fazer terapia?
Idealmente, sim — e vale investir nisso. Um adolescente levado à força pode até comparecer, mas o trabalho só começa de fato quando ele encontra algum interesse próprio. Por isso a primeira sessão é sempre sem compromisso de continuidade: serve para ele avaliar também.
Conteúdo informativo escrito por Laiane Paula Andreoleti (CRP 06/167219). Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou tratamento. Em situações de urgência, procure o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24 horas, ligação gratuita).