Resposta direta
A terapia para luto é o acompanhamento psicológico de quem viveu uma perda — por morte, mas também por separação, adoecimento, fim de projeto ou ruptura de vínculo. O objetivo não é acelerar nem “superar” a perda: é dar lugar a ela, para que a vida possa seguir com ela dentro.
É a minha principal área de estudo. Minha dissertação de mestrado (UNIP, 2025) tratou do cuidado ao luto; curso a Formação Avançada em Intervenção Psicoterapêutica no Luto pela INLUTO, em Lisboa; e pesquiso no grupo sobre Morte e Envelhecimento da PUC-SP.
Que lutos eu atendo
Luto não é só o que acontece depois de um enterro. Muita gente demora a procurar ajuda porque acha que a própria dor “não conta”. Conta.
- Luto por morte — de mãe, pai, filho, cônjuge, irmão, avô, amigo. Recente ou antigo.
- Luto por separação — o fim de um casamento ou de uma relação longa é uma perda, ainda que ninguém tenha morrido.
- Perdas de saúde — um diagnóstico, uma limitação nova, um corpo que mudou.
- Perdas de projeto — a carreira que não foi, o filho que não veio, a vida que se planejou e não aconteceu.
- Lutos não reconhecidos — aqueles que a sociedade não valida e que por isso não encontram espaço para serem chorados.
- Luto antecipatório — o que já começou antes da perda, no acompanhamento de alguém que adoece.
Quando procurar ajuda
Sofrer depois de uma perda não é doença — é resposta. Não existe um prazo depois do qual a dor vire “problema”, e desconfio de qualquer tabela que diga isso. Ainda assim, há sinais de que a travessia está pesada demais para ser feita sozinha:
- A vida cotidiana parou e não voltou a andar: trabalho, sono, alimentação, relações.
- Você sente que precisa fingir que está bem para não incomodar os outros.
- A dor vem acompanhada de culpa que não sai do lugar.
- Não há ninguém, no seu círculo, com quem seja possível falar sobre a pessoa que morreu.
- Você evita sistematicamente tudo o que lembre a perda — ou não consegue pensar em outra coisa.
- Aparecem pensamentos de morte ou de não querer continuar. Nesse caso, procure ajuda hoje — CVV 188, 24 horas, gratuito.
Como é o trabalho
Não uso protocolo de fases nem cronograma de superação. Trabalho pela via psicanalítica, o que significa escutar o que essa perda representa na sua história — e não o que o luto “costuma” significar em geral. Duas pessoas que perderam a mãe no mesmo mês estão vivendo lutos completamente diferentes.
Na prática: sessões semanais com horário fixo, presenciais no consultório do Alto da Boa Vista, em Ribeirão Preto, ou online por videochamada. O ritmo é seu. Há dias em que se fala da pessoa que morreu, e há dias em que se fala de tudo, menos disso — e isso também é trabalho de luto.
Na clínica, aprendemos a sustentar a elaboração do outro.
Por que eu trabalho com isso
O luto não é um tema que eu atendo por acaso — é o eixo da minha formação continuada e da minha pesquisa:
- Mestrado (UNIP, 2025) — dissertação aprovada em Comitê de Ética sobre a potencialidade da literatura em grupo como ferramenta no cuidado ao luto e à saúde mental.
- INLUTO — Lisboa — Formação Avançada em Intervenção Psicoterapêutica no Luto, em curso, com conclusão prevista para 2026.
- PUC-SP — pesquisadora do grupo sobre Morte e Envelhecimento.
- Sementes do Luto — cofundadora da instituição de cuidados integrados ao luto.
- Grupo Ideal Acolhe e Programa Bem Viver (Prefeitura de Ribeirão Preto) — coordenação de grupos de acolhimento ao luto.
- Publicação — dois capítulos do livro Do Luto ao Sentido (2024), sobre luto, feminino e psicanálise.
Se a perda foi há poucos dias
Você não precisa esperar “o tempo passar” para me procurar, nem precisa saber o que dizer. Muitas vezes o primeiro contato é só isso: alguém que perdeu alguém, escrevendo. Me escreva.
Dúvidas frequentes
Quanto tempo dura o luto?
Não há prazo. O luto não termina como um tratamento que se conclui: ele muda de forma. Com o tempo, na maior parte dos casos, a dor deixa de ocupar o centro e passa a caber na vida — sem que a pessoa perdida seja esquecida. Quem estabelece um cronograma para a sua dor, provavelmente está falando do desconforto dele, não do seu.
É normal sentir alívio ou raiva depois de uma morte?
Sim, e é muito mais comum do que se admite em voz alta. Alívio depois de um adoecimento longo, raiva de quem morreu, culpa por continuar vivendo — tudo isso aparece com frequência no consultório. Essas emoções não fazem de você uma pessoa ruim; costumam ser, inclusive, o que mais precisa ser dito em algum lugar seguro.
Terapia para luto funciona online?
Sim. Atendo pessoas enlutadas por videochamada em todo o Brasil, com o mesmo sigilo do presencial (Resolução CFP nº 11/2018). Para muitas pessoas em luto, poder falar de casa — sem precisar se arrumar e atravessar a cidade — torna a continuidade possível.
Você atende famílias, ou só individualmente?
Atendo individualmente e também tenho experiência com grupos de acolhimento ao luto, conduzidos em contextos institucionais e comunitários. Para famílias, o formato é conversado caso a caso no primeiro contato.
Preciso de remédio para lidar com o luto?
Psicólogos não prescrevem medicamentos — isso é atribuição médica. O luto, por si só, não é doença e não se trata com medicação. Quando o quadro indica avaliação psiquiátrica, eu converso com você e faço o encaminhamento; o acompanhamento psicológico e o psiquiátrico se somam, quando é o caso.
Conteúdo informativo escrito por Laiane Paula Andreoleti (CRP 06/167219). Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou tratamento. Em situações de urgência, procure o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24 horas, ligação gratuita).