Guia prático

Como funciona a psicanálise

Tirando o divã dos filmes, sobra uma prática bem concreta: um horário fixo por semana, uma regra simples e um trabalho que se faz falando.

  • Sessões semanais de ~50 min
  • Presencial e online
  • CRP 06/167219
Laiane Andreoleti sentada em uma poltrona no consultório, ao lado de uma estante com livros e certificados.
Laiane Andreoleti · CRP 06/167219

Resposta direta

Na prática, uma análise funciona assim: sessões semanais, com horário fixo, de cerca de 50 minutos, presenciais ou por videochamada. A regra fundamental é a associação livre — dizer o que vier, sem selecionar.

Não há tarefa de casa, não há escala para preencher, não há roteiro de assuntos e não há prazo definido de antemão. O divã é opcional e conversado caso a caso.

A regra fundamental: associação livre

É a única instrução que se dá, e é mais difícil do que parece: dizer o que vier, mesmo o que parecer bobo, desconexo, sem importância, constrangedor ou fora de propósito. Justamente aquilo que a gente descarta antes de falar costuma ser onde está o material.

Ninguém consegue fazer isso perfeitamente, e não precisa. A resistência a dizer também é informação — e trabalhar essa resistência é parte do processo, não um obstáculo a ele.

O que acontece dentro de uma sessão

Você começa por onde começar. Não precisa chegar com assunto preparado, e não precisa de novidade para justificar a sessão. Eu escuto, e intervenho bem menos do que a maioria das pessoas espera — não por distanciamento, mas porque a função não é dar respostas: é sustentar uma escuta que permita você ouvir o que está dizendo.

Algumas sessões terminam com uma clareza nova. Outras terminam com mais perguntas do que respostas, ou com a sensação de não ter chegado a lugar nenhum. As duas coisas fazem parte, e o que parece perdido numa semana com frequência reaparece na seguinte.

O enquadre

  • Frequência: uma sessão por semana no meu consultório, em horário fixo. Em alguns momentos do percurso pode fazer sentido aumentar, e isso é conversado.
  • Duração da sessão: em torno de 50 minutos.
  • Horário fixo: mesmo dia, mesma hora. Não é burocracia — é a regularidade que dá forma ao trabalho.
  • Faltas e remarcações: combinadas na primeira sessão, junto com o restante do enquadre.
  • Sigilo: integral, conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo.
  • Modalidade: presencial em Ribeirão Preto ou online por videochamada.

Sobre o divã

Ele existe e tem uma razão de ser: sem o rosto do analista à frente, algumas pessoas falam com menos filtro social. Mas não é obrigatório, não define o trabalho e não é por onde se começa. A maior parte dos atendimentos acontece frente a frente — inclusive todos os online.

Quanto tempo dura

Não há prazo fixo, e desconfie de quem promete um. A duração depende do que você traz, do momento de vida e do que for se abrindo no percurso. Alguns processos são mais curtos e centrados em uma questão; outros se estendem por anos.

O que posso dizer com honestidade é que a psicanálise não é a escolha indicada para quem precisa de resultado em quatro semanas — e que a decisão de continuar ou interromper é sempre sua, revista ao longo do trabalho.

O primeiro contato, passo a passo

  1. Você manda uma mensagemWhatsApp (16) 98128-7210. Quem responde sou eu. Não precisa se explicar nessa mensagem.
  2. Marcamos a primeira conversaPresencial no Alto da Boa Vista ou por videochamada.
  3. Primeira sessãoVocê fala do que te trouxe; eu explico como trabalho, a frequência e os valores. Sem compromisso de continuidade.
  4. Se fizer sentido, combinamos o horário fixoE o trabalho começa a partir dali.

"E se eu não souber o que falar?"

É a dúvida mais comum, e não é um problema. Não saber o que dizer também é uma forma de dizer. A sessão começa por onde você começar — inclusive pelo silêncio.

Dúvidas frequentes

Posso fazer psicanálise uma vez por mês?

O enquadre que sustento é semanal, e há uma razão clínica: a continuidade é o que permite ao processo se manter vivo entre uma sessão e outra. Encontros muito espaçados tendem a virar atualização de acontecimentos, e não trabalho de elaboração. Se a frequência semanal for inviável no momento, vale conversar — mas é importante saber que isso muda a natureza do trabalho.

O analista fala pouco mesmo?

Fala menos do que a maioria das pessoas espera, e isso costuma estranhar nas primeiras sessões. Não é frieza nem falta do que dizer: é que a intervenção precisa vir na hora em que serve, e não para preencher silêncio. Quando intervenho, é para apontar algo que apareceu na sua própria fala — não para dar conselho.

Psicanálise online funciona igual?

Funciona, com um ajuste de enquadre. O sigilo, a frequência e a duração são os mesmos; o que muda é que o contorno da sessão — horário protegido, lugar reservado, atenção inteira — precisa ser construído por você, em vez de ser dado pelo espaço do consultório. Veja terapia online.

Posso interromper quando quiser?

Pode. A decisão é sempre sua. O que eu peço é que, quando essa vontade aparecer, ela seja levada para a sessão em vez de virar uma ausência — muitas vezes o próprio impulso de parar tem algo importante a dizer sobre o momento do processo.

Conteúdo informativo escrito por Laiane Paula Andreoleti (CRP 06/167219). Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou tratamento. Em situações de urgência, procure o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24 horas, ligação gratuita).

Toda análise começa com alguém dizendo a primeira frase.

Não precisa estar organizada. Precisa só ser dita.

Marcar a primeira conversa

Em caso de emergência psiquiátrica, procure o CAPS mais próximo, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24h, ligação gratuita).