Em resumo
Oficina e roda de conversa são formatos participativos: em vez de uma apresentação frontal, o grupo trabalha junto. Conduzo os dois sobre luto, perdas e saúde mental, para instituições, equipes e grupos comunitários.
São indicados quando o grupo já tem algo em comum a elaborar — uma perda recente, uma rotina de trabalho com morte, uma experiência compartilhada — e quando o objetivo não é informar, mas dar passagem ao que já está ali.
Quando escolher cada formato
- Palestra — quando o objetivo é sensibilizar, informar e abrir o assunto para um público maior. Veja palestras e aulas.
- Oficina — grupo menor, com atividade e produção junto. Boa para equipes que lidam com morte no cotidiano e precisam de repertório prático, não só conceito.
- Roda de conversa — formato circular, sem hierarquia de palco, sem conteúdo a "cobrir". Indicada quando o grupo já viveu junto o que está em pauta.
- Grupo de acolhimento continuado — encontros regulares ao longo do tempo. É o formato do Grupo Ideal Acolhe, que coordenei, e dos grupos do Programa Bem Viver, da Prefeitura de Ribeirão Preto.
Como conduzo
Formato participativo não significa improviso. Há uma estrutura por trás — o que se propõe, em que ordem, quanto tempo, e principalmente como se fecha. Encontro que abre o que dói e termina no horário sem nenhum cuidado de fechamento não ajuda: mobiliza e abandona.
Três compromissos na condução:
- Ninguém é obrigado a falar. A participação é sempre convite, nunca convocação — especialmente em contexto de trabalho, onde chefia e colegas estão na sala.
- O que se fala ali fica ali. Combinado explicitamente no início, com todos.
- Existe fechamento. O encontro termina com um cuidado deliberado de encerramento, e com orientação sobre onde buscar ajuda quando for o caso.
Contextos em que costumam funcionar
- Equipes de saúde — UTI, oncologia, cuidados paliativos, emergência, home care. Profissionais que acumulam perdas sem espaço para elaborá-las.
- Depois de uma morte na instituição — quando uma palestra seria fria demais para o momento.
- Grupos comunitários — como as rodas que conduzi com servidores públicos ativos e aposentados no Programa Bem Viver.
- Grupos de enlutados — encontros continuados de acolhimento.
- Formação de equipes — quando o objetivo é construir repertório prático, e não transmitir conteúdo.
Literatura como mediadora
Em muitos dos grupos que conduzo, a literatura entra como ponto de partida: um conto, um trecho, uma história que não é a de ninguém ali e por isso pode ser falada. É o eixo da minha pesquisa de mestrado e é o que sustenta a Comunidade Hibiscos.
A hipótese, em uma frase: certas dores encontram passagem primeiro na história de outra pessoa, antes de conseguirem ser ditas na primeira pessoa. Veja literatura e saúde mental.
Grupo não é terapia coletiva
Uma roda de conversa em ambiente institucional não é psicoterapia de grupo e não substitui atendimento individual. Isso é dito com clareza aos participantes, junto com orientação sobre onde buscar acompanhamento — inclusive na rede pública, com CAPS e CVV (188).
Dúvidas frequentes
Qual o tamanho ideal de grupo?
Depende do formato. Roda de conversa e oficina pedem grupos menores, porque todo mundo precisa caber na fala — grupos grandes viram plateia, e aí o formato perde o sentido. O número exato é definido com a instituição, considerando o espaço e o objetivo do encontro.
Funciona online?
Funciona, e conduzi grupos online por videochamada — inclusive o Grupo Ideal Acolhe e a Comunidade Hibiscos. Exige alguns ajustes: grupo menor, combinações mais explícitas sobre câmera e fala, e atenção redobrada a quem se retrai. Para grupos formados logo após uma perda coletiva, o presencial costuma sustentar melhor.
Um encontro só resolve?
Um encontro abre. Para grupos que já viveram uma perda em comum ou que lidam com morte no trabalho, encontros continuados rendem incomparavelmente mais — porque a confiança que permite falar leva tempo para se construir. Quando o orçamento permite apenas um, digo isso na proposta e ajusto o objetivo do encontro para o que é possível.
Preciso ter psicólogo na instituição para contratar?
Não é requisito. Mas quando existe um serviço de psicologia interno, converso com ele antes, porque é para lá que os encaminhamentos vão naturalmente. Quando não existe, oriento sobre a rede pública da região.
Conteúdo informativo escrito por Laiane Paula Andreoleti (CRP 06/167219). Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou tratamento. Em situações de urgência, procure o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24 horas, ligação gratuita).