Em resumo
Conduzo palestras, aulas e oficinas sobre luto e perdas para empresas, instituições de saúde, escolas, universidades e equipes que lidam com morte no cotidiano do trabalho.
É a minha área de pesquisa: mestrado na UNIP com dissertação sobre cuidado ao luto, especialização em curso pela INLUTO (Lisboa), pesquisa no grupo sobre Morte e Envelhecimento da PUC-SP e dois capítulos publicados no livro Do Luto ao Sentido (2024).
Quando uma instituição precisa falar de luto
- Morreu alguém da equipe — e ninguém sabe se fala, se cala, se manda e-mail, se faz minuto de silêncio.
- Morreu alguém próximo de um colaborador — e a pessoa volta ao trabalho num silêncio constrangido que dura meses.
- A equipe lida com morte no trabalho — hospitais, UTI, oncologia, cuidados paliativos, home care, funerárias, socorristas, assistência social.
- Houve uma perda coletiva — um acidente, uma tragédia, a morte de um aluno.
- Formação preventiva — preparar lideranças e docentes antes de precisarem, que é sempre a melhor hora.
O que costuma ser trabalhado
- O que é luto, para além do senso comum das cinco fases — inclusive por que essa ideia atrapalha.
- O que dizer e o que não dizer. A parte mais pedida, e a mais prática: por que "ele está num lugar melhor" e "seja forte" fecham a conversa, e o que abre.
- Lutos que ninguém valida — perda gestacional, morte por suicídio, perda de animal, morte de ex-parceiro. Nas instituições, são justamente os que geram mais silêncio constrangido.
- Os limites do papel de cada um. Um gestor não é terapeuta do time, e um professor não é terapeuta do aluno. Saber onde termina o acolhimento e começa o encaminhamento evita dano dos dois lados.
- O luto de quem cuida — profissionais de saúde e educação acumulam perdas sem espaço para elaborá-las.
- Rituais institucionais — o que faz sentido fazer, e o que costuma soar protocolar e ferir.
O cuidado que este tema exige
Numa palestra sobre luto, é praticamente certo que haja gente enlutada na sala — muitas vezes sem que ninguém em volta saiba. Isso muda a condução: não se trata o assunto como caso hipotético, não se usa história de terceiro como ilustração dramática, e não se termina o encontro com todo mundo mobilizado e sem lugar para ir.
Também digo com todas as letras, durante o encontro, que uma palestra não é tratamento — e oriento sobre onde buscar ajuda, inclusive na rede pública, com CAPS e CVV (188).
Formatos possíveis
- Palestra de sensibilização — encontro único, público maior, para abrir a conversa.
- Formação para lideranças — grupo menor, foco no manejo prático: o que fazer quando acontece.
- Oficina — participação ativa, para equipes que lidam com morte no cotidiano. Veja oficinas e rodas de conversa.
- Roda de conversa — formato circular, indicado quando o grupo já viveu a perda em comum.
- Grupo de acolhimento continuado — encontros regulares, como os que coordenei no Grupo Ideal Acolhe e no Programa Bem Viver.
Se a morte foi recente
Quando a procura vem logo depois de uma perda na instituição, uma palestra raramente é a primeira coisa a fazer — um grupo de acolhimento ou uma roda de conversa costuma ser mais adequado. Me diga isso na primeira mensagem para eu propor o formato certo.
Dúvidas frequentes
A palestra pode piorar as coisas, mobilizando a equipe?
É uma preocupação legítima e é exatamente por isso que a condução importa. O risco existe quando o tema é aberto sem manejo e encerrado sem fechamento. Trabalho justamente para o contrário: nomear o que já estava ali em silêncio, sustentar o que aparecer no encontro e terminar com orientação clara sobre onde buscar ajuda.
Serve para equipes de saúde que lidam com morte todo dia?
Serve, e é um dos públicos que mais procura. Profissionais de UTI, oncologia, cuidados paliativos e emergência acumulam perdas sem espaço para elaborá-las — e o discurso do profissionalismo muitas vezes ensina a não sentir. Para esse público, formatos com participação (oficina ou roda) costumam render mais que palestra frontal.
Atende demanda de escolas depois da morte de um aluno?
Sim, e é uma situação que pede cuidado específico, porque envolve estudantes, famílias e docentes ao mesmo tempo — cada um com uma necessidade diferente. Nesses casos, converso antes com a coordenação para desenhar o que fazer com cada grupo. Veja também palestras para escolas.
É possível fazer online?
É, e funciona bem para formatos expositivos e para equipes distribuídas em várias unidades. Para rodas de conversa e grupos de acolhimento depois de uma perda recente, o presencial costuma sustentar melhor — mas isso se avalia caso a caso.
Conteúdo informativo escrito por Laiane Paula Andreoleti (CRP 06/167219). Não substitui avaliação individual, diagnóstico ou tratamento. Em situações de urgência, procure o CAPS da sua região, o SAMU (192) ou o CVV (188, 24 horas, ligação gratuita).